Me diz 5…

11ago08

…filmes que mais gostou.

A exemplo de Rob Gordon e seus amigos, aqui e no Crônico faremos listas de 5 qualquer-coisa a cada 2 semanas. A primeira seria das 5 bandas que mais amamos. Estava difícil decidir. Aí resolvemos começar com uma lista dos 5 filmes que mais gostamos. Foi mais fácil, mas ainda complicado. São muitos filmes! Depois de muito pensar, cortar, fazer uma repescagem, lembrar de outros, os 5 filmes que mais curto são esses:

Laranja Mecânica (1971)

O que: Droogs, drogas, ultra-violência, traição, submissão, controle… todo os atos mais repulsivos que o homem é capaz de cometer estão neste filme. Ok, talvez não todos, mas muitos. Só depois de anos que assisti o filme eu li a obra de Anthony Burgess. E concordo com a decisão do Kubrick de não retratar o último capítulo do livro, onde Alex aos poucos deixa de sentir prazer nos crimes que comete. Para mim, o Alex de Kubrick é uma personagem bem mais forte e marcante do que o Alex de Burgess.

Por que: Os drooges formaram uma micro sociedade com suas próprias regras, hierarquia e linguagem. Ponto para Burgess. Os cenários futuristas, os figurinos modernos, a trilha arrepiante. Ponto para Kubrick. Fora momentos mitológicos do filme como o olhar fixo de Alex em sua roupa de esgrima, chapéu coco, bengala e cílios postiços. Como não lembrar da gangue obrigando o marido a assistir sua mulher sendo violentada enquanto Alex cantava alegremente Singing in the rain? E as cenas do programa de reabilitação de Alex e a demonstração para a comunidade científica de que a Técnica Ludovico realmente funciona? Como esquecer que todos ali são tão regressores das regras da sociedade quanto Alex?

Forrest Gump (1994)

O que: Praticamente uma aula de história! A Guerra do Vietnã, a Guerra Fria, o assassinato do Presidente Kennedy, a Aids, a revolução sexual dos anos 70. Tudo misturado com ícones pop como o Smile, a máxima Shit happens e menção ao início do império de Steve Jobs. Forrest viveu e de alguma forma influenciou tudo isso por um só motivo: sua Jenny. QI baixo, pernas atrofiadas, falta de malícia… era sempre Jenny que o impulsionava a superar seus problemas sem nunca tratá-lo como inferior.

Por que: Forrest é a única pessoa realmente pura no universo! Sua dedicação e carinho por Bubba, Lieutenant Dan, Jenny e momma… como não se apaixonar por ele? As lições mais simples que Mrs. Gump ensinava ao filho deveriam ser ensinadas nas escolas! “My momma always said ‘life is like a box of chocolates. You never know what you’re gonna get”. Impossível não ver o filme passando na sessão da tarde pela cazilionésima vez e não assistir. Sensacionais as cenas em que Forrest interage com JFK, Elvis… fora que tem Haley Joel Osment, o menininho de O sexto sentido, em sua estréia no cinema como Forrest Jr.

Trainspotting (1996)

O que: Drogas, drogas e drogas. A rotina nada fácil de um jovem escocês viciado em heroína e sua difícil tentativa de recuperação. A relação de amizade, dependência e negócios com o traficante. Os atos inconseqüentes e irresponsáveis. A perda pelo vício. Os efeitos das drogas. A angústia da reabilitação. A dor física e o tormento mental que é limpar o corpo. O desejo incontrolável por outra picada. Os pequenos roubos e trambiques para conseguir dinheiro.

Por que: O filme é, no mínimo, sagaz. Como uma história tão marginalizada pôde fazer tanto sucesso e se tornar um marco? Danny Boyle foi extremamente competente em mostrar as sensações que uma dose de heroína pode fazer. Toda a calma e anestesia que ela gera e a sensação de que mais nada no mundo importa. É como, literalmente, se afundar no chão. Toda a beleza do universo se opondo aos extremos que se pode chegar quando o vício já consumiu tudo o que podia: Renton desesperado atrás de seus supositórios, Spud com problemas intestinais na casa da namorada, Tommy morto por causa das drogas. E o melhor monólogo ever! Sem contar que lançou Ewan McGregor (não vou divagar sobre o moço ou a lista perde todo seu propósito =P). Certa vez assisti em preto e branco. Só fica melhor!

Alta Fidelidade (2000)

O que: Problemas no relacionamento? Quem já não passou por isso? Pior ainda é quando o maldito ser que causa tanto transtorno na sua vida NÃO é hour concour, NÃO tem muitas chances de estampar a edição da People das 50 pessoas mais sexies do mundo, NÃO é exemplo de inteligência superavançada ou qualquer outro quesito capaz de fazer sua mãe chamar de “genro/nora que pedi a Deus”. Mesmo sendo uma pessoa comum como tantas outras pelo mundo, você sofre, se corrói de ciúmes e até a coisa mais banal como pastel de feira te faz lembrar dele(a). Começa a guerra entre a razão e a emoção e toda aquela reflexão freudiana conturbadora que acaba dominando seu dia. É este momento infinito que Rob vive e nos conta com todos os sentimentos que, de alguma forma, extravasamos simultaneamente nessas horas.

Por que: Explicar relacionamentos não é tarefa fácil. Explicá-los usando música é ainda mais complicado. Usando BOA música, então. Sem mencionar que Alta Fidelidade tem uma cena, quase no fim do filme, que é impagável para mim. Desde que assisti, ficou impregnada na minha memória. A cena do Rob pedindo Laura em casamento e recebendo risadas debochadas como resposta. Ela, como toda mulher, estava ciente das puladas de cerca do namorado. E ele, com a melhor analogia do cinema, explica o motivo dos homens traírem: lingerie.

Donnie Darko (2001)

O que: Viagem no tempo, wormholes, fim do mundo, profecias e um coelho sinitro chamado Frank. Teorias, teoremas, alucinações… será que o mundo realmente vai acabar em 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos como Frank avisou? Afinal, foi tudo um sonho da mente perturbada de Donnie? Todos os encontros foram mera coincidência?

Por que: Adoro Jake Gyllenhaal perturbado. Adoro o final tire-suas-próprias-conclusões. Adoro a afirmação de que ninguém é bonzinho. Todos se acham normais, intelectuais, interessantes. No fundo, todos escondem um segredo, têm um vício e são egoístas e hipócritas. Tudo o que você faz é conseqüencia de uma vontade de conseguir algo em benefício próprio. Se Donnie repulsa e se sente enojado com a personalidade de todos ao seu redor (fora sua irmã caçula, Samantha, a personificação da pureza ainda não corrompida), por que se preocupar em descobrir se o fim do mundo está próximo ou não?



3 Responses to “Me diz 5…”

  1. 1 gabrielouback

    e requiem? e se7en?
    vida longa ao ‘me diz 5’!

  2. 2 Augusto

    concordo sem pensar com os três primeiros, me abstenho do quarto e acho o quinto uma produção supertosca indigna de qualquer “top”.

    às vezes eu fico pensando “não alcancei” quando vejo pessoas dando tanto valor a Donnie Darko. nem chegou a passar aquela sensação de “será que eu gosto desse troço?”, como acontece em filmes bizarros, tipo Mulholland Drive ou Gummo.

    ponto positivo pra “Mad World” na trilha sonora!🙂

  3. acho que eu não conseguiria escolher apenas 5…:/


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