It sounds so funny when I hear you calling!

01fev08

Às vezes minha mãe tem surtos. É quando ela demonstra o lado humorístico e totalmente louco que ela guarda lá no fundo. Outro dia mesmo me perguntou, no meio do shopping, algo completamente sem nexo com o assunto que estávamos discutindo (ou talvez tivesse nexo… na verdade eu não estava prestando muita atenção): Você me acha a melhor mãe do mundo? Minha resposta: Não! Como diria George Wade (Hugh Grant) em Two weeks notice, this is nonsense! Have you met every mother in the world?!

Para que fique registrado, eu adoro minha mãe! Mas é difícil manter uma relação saudável se ela continuar a fazer certas coisas que só ela é capaz de fazer. Minha imagem de pessoa sã pode ir por água abaixo, por que esses episódios sempre acabam comigo sofrendo com ataques de riso.

Eis um exemplo que aconteceu na sexta-feira pré carnaval, de manhã. Meu telefone do trabalho toca.

Eu: Alô?
Mãe: OI!
E: Oi..
.

Respondi meio em dúvida de quem seria…

M: Então, te liguei pra pedir uma coisa.

Ela sempre me pede alguma coisa.

E: Ah! É você! Achei que fosse a Amanda.
M: … NOSSA! MAGOOU!
E: Desculpa! É que a Amanda sempre liga aqui e começa a conversa assim, meio enigmática, e eu nunca tenho certeza de quem é. Achei que fosse ela.
M: MAGOOU! Não reconhece a voz da sua mãe, não?!
E: Desculpa! Fala o que eu vou ter que fazer pra você agora.
M: É o seguinte… qual é o nome do meu oftalmologista?
E: COMO É QUE EU VOU SABER SE QUEM VAI NO MÉDICO É VOCÊ?!
M: É que eu esqueci e como foi indicação do Luciano
eu esperava que você soubesse.

Luciano (atendendo a pedido) é meu vizinho de baia.

Eu para o Luciano: Qual é o nome do seu oftalmologista?
L: Dr. Márcio.
Eu para minha mãe: É Márcio, mãe.
M: Márcio?! Não, não era Márcio!
E: …
M: Tem certeza? Por que eu recebi um e-mail do médico uma vez e não era Márcio…

Nesse ponto ela começou a contar a história do motivo que o oftalmologista mandou um e-mail pra ela. Para variar, eu não estava prestando atenção.

M: Acho que não era Márcio.
E: É MÁRCIO!
M: Então, por que na verdade a Fulana, aqui da empresa que estou, precisa ir no oftalmologista por que…

E ela começa a contar a história do olho da Fulana… e nessa hora o Luciano estava me falando alguma coisa para dizer para ela e eu acabei nem prestando atenção nele, nem na minha mãe.

E: Tá mãe. Quer o telefone?
M: Não, não precisa…

E ela começa a contar outra história que eu não prestei atenção.

E: Só isso?
M: Não… qual é o telefone dele?

E: …

Isso por que eu tinha acabado de perguntar se ela queria o número!

Eu para o Luciano, já morrendo de vergonha: Você tem o telefone?

Repassei o telefone para ela e, óbvio, ela me solta o seguinte:

M: Tem certeza que é esse número?!
E: Tenho, MEU DEUS DO CÉU!
M: Humm… acho que não era esse! Deixa eu ver aqui, para confirmar!

o_O

E: SE VOCÊ TEM O NÚMERO, POR QUE PEDIU?!
M: …

E: Era só isso?!
M: Na verdade eu te liguei pra contar uma coisa!

Eu já estava esperando uma história meio sem nexo, meio estranha, cujo tema fugiria completamente da minha alçada e, principalmente, da minha atenção.

M: Lembra daquele telegrama urgente que eu vi em cima da mesa hoje de manhã e que você não me deixou ler em casa?

Primeiro: se fosse realmente urgente a pessoa não mandaria um telegrama, mas enviaria um e-mail, SMS, mensagem de voz, MSN, o que for.
Segundo: já eram 8h30, hora em que, teoricamente, eu deveria estar batendo o ponto no trabalho.

M: Sabe o que era?
E: O que?
M: EU GANHEI UM TERRENO!
E: PUTA QUE PARIU! SÉRIO?! UAU!

Fui sarcástica nesse momento!

M: Sério! Não é demais?!

Senti que ela não percebeu o tom sarcástico da minha resposta. Tudo o que pensava no momento era como raios ela tinha ganhado um terreno. Será que algum tio distante morreu e deixou um terreno de herança para ela?

E: Nossa, mãe! Não tinha coisa melhor pra ganhar? Por que você não ganha na Mega Sena, hein?! Onde é esse terreno?
M: Não sei!
E: Como assim, não sabe?! Como você ganhou?!
M: Ah, era uma promoção que tinha lá no Centro Empresarial.

Eu já estava imaginando as chatices com cartório, papelada disso, papelada daquilo que ela ia, solicitadamente, “pedir” (leia exigir) que EU resolvesse para ela.

E: E o que raios você vai fazer com isso agora?!
M: Vender.

Eis que a história (se for verdade e minha mãe não for uma pessoa ingênua) começa a ficar interessante.

M: O dinheiro eu guardo para ir para Londres.

8D 8D 8D 8D

E: Pra Londres?! NOSSA, MÃE! PARABÉNS MESMO! E AGORA É SÉRIO! NOSSA! QUE SORTE, HEIN?!
M: Como você é interesseira!

Click. Tu tu tu…

Título: Work work work, Rakes



One Response to “It sounds so funny when I hear you calling!”

  1. 1 lirodrigues

    Vi, essas histórias com a sua mãe são hilárias!
    Ela também deve ser uma figura…

    Beijo e boa viagem!


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