Backpack and a passport

21dez07

Precisava renovar meu passaporte. Paguei a União, preenchi mil formulários, separei os documentos e fui agendar um horário na Polícia Federal. Era fim de setembro. Procurei datas no Shopping Eldorado. Calendário cheio até dezembro. Desisti. Fui procurar no Shopping Ibirapuera. A mesma coisa.

Conversei com um amigo que estava passando pelo mesmo processo e ele indicou fazer o passaporte na Polícia Federal mesmo. Lá na Lapa. De Baixo. Onde raios era isso?! O importante é que eles tinham horário em outubro. Saí cedo de casa waquele dia para resolver outros assuntos, de outros documentos. Meu horário na PF era às 15h15. Cheguei lá às 13h. Fiquei meio perdida por um momento. Como todo bom brasileiro, entrei na primeira (e única) fila que achei. Era aquela mesmo.

PassaporteNa minha frente, uma mulher segurava uma pasta recheada de papéis. Atrás, a mesma coisa. As duas começam a querer puxar papo comigo. Simpatissíssima que sou com estranhos, dei um sorriso amarelo e ignorei. As duas começam a conversar. A primeira reclama que era a segunda vez naquela semana que estava lá tentando tirar o passaporte, mas que a “mocinha da entrevista mandou buscar um documento no cartório”. A segunda visitava a Lapa pela terceira vez. “A atendente começou a perguntar sobre meu ex-marido na entrevista e mandou trazer um documento”. Que raios de entrevista vocês estão falando?! Comecei a ficar com medo. Vai que não posso renovar meu passaporte por conta daquele pequeno incidente em Honolulu?!

Seria a próxima a ser chamada. Estava torcendo para um homem me atender. E foi. Juro que nunca fui tão doce na minha vida! O cara deve estar com diabetes tipo 2 agora. Ele até deixou eu tirar umas 5 fotos até que gostasse de alguma. E ainda disse para dar um sorriso. Ele deu uma olhada rápida nos documentos. Parou no passaporte antigo. Era agora que eu estava fu****! “Vou ter que reter seu passaporte”. Gelei! “Aqui só tem o carimbo de saída dos EUA. O vistodeve estar no passaporte anterior. Não tem problema”. OK!

Saí de lá antes do horário agendado. Alguns dias depois o passaporte novo estava pronto e eu já podia buscar. Mas é claro que até buscar eu enrolei o máximo que pude. E eu resolvi me arrastar até a Lapa de Baixo na quarta-feira, aproveitando outros compromissos que ia ter aquele dia. E para variar, São Pedro demonstrou mais uma vez seu ódio pela minha pessoa e fez chover o dia inteiro.

Era quase meio dia e a chuva não parava. O jeito foi enfrentar. Guarda-chuva quebrado em mãos e bota nos pés. Fui meio sem norte, mas consegui chegar sem problemas. E por um caminho bem menos trash do que quando eu fui pela primeira vez. Cheguei ensopada, mas com os pezinhos ainda sequinhos. Detector de metais na porta. Saco! Vou ter que tirar o mundo da bolsa: iPod, celular, carteira com mil dobrões de ouro, caixinha de metal do cigarro, óculos, chaves de casa. Já estava preparada para ouvir o alarme tocar. Passei no detector e nada.

Nos guichês para retirada de passaportes, quatro pessoas estavam lá, com aquela cara de bunda que todo funcionário público não se reprime em exibir. Fui no guichê 2 (sim, era um homem atendendo). “Você tem que entregar o papel no guichê 1”. Como se fosse a 200 km de distância. Estiquei o braço e entreguei o papel no guichê 1. Esperei uns 5 minutos e me chamaram. “Confere seus dados”. Sim, senhora! “Dedão direito no leitor”. Sério? Olha que meleca tá isso! Coloquei o dedão, sem fazer muita pressão no leitor. Por quê, Senhor?! A mulher botou a mãozona com unhas compridas e mega sujas em cima do meu dedão e deu um puta apertão. “Indicador direito”. E lá se foram as unhas sujas em cima do meu indicador. Só faltava ela mandar botar todos os dedos no leitor. Só mais um … o dedão esquerdo. Aí tive que fazer malabarismo por que oChuva! scaner estava num local de difícil acesso da mão esquerda, que estava equilibrando papel, bolsa, carteira e habilitação. Tudo certo, saí correndo atrás de água e sabão.

Para sair do prédio, detector de metal diferente. Passei e também não emitiu som algum. Aliás, qualquer um passava lá e nada. Aquilo funciona? Agora a chuve estava mais forte. Fui correndo até o ponto de ônibus com meu guarda-chuva quebrado em mãos. Poças d’água para todos os lados. Os ônibus passavam mais devagar para não jogar água nas pessoas. Esperei um pouco e vi um ônibus que servia para mim chegando. Fui fazer sinal. Sempre tem um Gerson maldito! O FDP, que não era táxi muito menos ônibus, passou voando no corredor do maldito ônibus e me deu um banho! Engraçado que o resto do ponto já tinha dado um passo para trás quando o imbecil estava se aproximando e alguém havia gritado alguma coisa momentos antes. Claro que eu estava com fone no ouvido e preocupada demais com o ônibus que estava vindo.

Já no caminho para casa, a chuva apertou mais ainda. Aquele rio na calçada começava a encharcar minha bota. Num dado momento ela não resistiu. E começou a ficar mais ensopada que meu cabelo. Começou a me irritar. Cada passo dado era um squash ouvido. Comecei a pensar em frieira, pé de atleta, micose, leptospirose, cirrose… é, o TDA me faz perder o foco do assunto. Do que eu estava falando mesmo?

Título: Backpack and a Passport, Frankenbok



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