Me diz 5…
…filmes que mais gostou.
A exemplo de Rob Gordon e seus amigos, aqui e no Crônico faremos listas de 5 qualquer-coisa a cada 2 semanas. A primeira seria das 5 bandas que mais amamos. Estava difícil decidir. Aí resolvemos começar com uma lista dos 5 filmes que mais gostamos. Foi mais fácil, mas ainda complicado. São muitos filmes! Depois de muito pensar, cortar, fazer uma repescagem, lembrar de outros, os 5 filmes que mais curto são esses:
Laranja Mecânica (1971)
O que: Droogs, drogas, ultra-violência, traição, submissão, controle… todo os atos mais repulsivos que o homem é capaz de cometer estão neste filme. Ok, talvez não todos, mas muitos. Só depois de anos que assisti o filme eu li a obra de Anthony Burgess. E concordo com a decisão do Kubrick de não retratar o último capítulo do livro, onde Alex aos poucos deixa de sentir prazer nos crimes que comete. Para mim, o Alex de Kubrick é uma personagem bem mais forte e marcante do que o Alex de Burgess.
Por que: Os drooges formaram uma micro sociedade com suas próprias regras, hierarquia e linguagem. Ponto para Burgess. Os cenários futuristas, os figurinos modernos, a trilha arrepiante. Ponto para Kubrick. Fora momentos mitológicos do filme como o olhar fixo de Alex em sua roupa de esgrima, chapéu coco, bengala e cílios postiços. Como não lembrar da gangue obrigando o marido a assistir sua mulher sendo violentada enquanto Alex cantava alegremente Singing in the rain? E as cenas do programa de reabilitação de Alex e a demonstração para a comunidade científica de que a Técnica Ludovico realmente funciona? Como esquecer que todos ali são tão regressores das regras da sociedade quanto Alex?
Forrest Gump (1994)
O que: Praticamente uma aula de história! A Guerra do Vietnã, a Guerra Fria, o assassinato do Presidente Kennedy, a Aids, a revolução sexual dos anos 70. Tudo misturado com ícones pop como o Smile, a máxima Shit happens e menção ao início do império de Steve Jobs. Forrest viveu e de alguma forma influenciou tudo isso por um só motivo: sua Jenny. QI baixo, pernas atrofiadas, falta de malícia… era sempre Jenny que o impulsionava a superar seus problemas sem nunca tratá-lo como inferior.
Por que: Forrest é a única pessoa realmente pura no universo! Sua dedicação e carinho por Bubba, Lieutenant Dan, Jenny e momma… como não se apaixonar por ele? As lições mais simples que Mrs. Gump ensinava ao filho deveriam ser ensinadas nas escolas! “My momma always said ‘life is like a box of chocolates. You never know what you’re gonna get”. Impossível não ver o filme passando na sessão da tarde pela cazilionésima vez e não assistir. Sensacionais as cenas em que Forrest interage com JFK, Elvis… fora que tem Haley Joel Osment, o menininho de O sexto sentido, em sua estréia no cinema como Forrest Jr.
Trainspotting (1996)
O que: Drogas, drogas e drogas. A rotina nada fácil de um jovem escocês viciado em heroína e sua difícil tentativa de recuperação. A relação de amizade, dependência e negócios com o traficante. Os atos inconseqüentes e irresponsáveis. A perda pelo vício. Os efeitos das drogas. A angústia da reabilitação. A dor física e o tormento mental que é limpar o corpo. O desejo incontrolável por outra picada. Os pequenos roubos e trambiques para conseguir dinheiro.
Por que: O filme é, no mínimo, sagaz. Como uma história tão marginalizada pôde fazer tanto sucesso e se tornar um marco? Danny Boyle foi extremamente competente em mostrar as sensações que uma dose de heroína pode fazer. Toda a calma e anestesia que ela gera e a sensação de que mais nada no mundo importa. É como, literalmente, se afundar no chão. Toda a beleza do universo se opondo aos extremos que se pode chegar quando o vício já consumiu tudo o que podia: Renton desesperado atrás de seus supositórios, Spud com problemas intestinais na casa da namorada, Tommy morto por causa das drogas. E o melhor monólogo ever! Sem contar que lançou Ewan McGregor (não vou divagar sobre o moço ou a lista perde todo seu propósito =P). Certa vez assisti em preto e branco. Só fica melhor!
Alta Fidelidade (2000)
O que: Problemas no relacionamento? Quem já não passou por isso? Pior ainda é quando o maldito ser que causa tanto transtorno na sua vida NÃO é hour concour, NÃO tem muitas chances de estampar a edição da People das 50 pessoas mais sexies do mundo, NÃO é exemplo de inteligência superavançada ou qualquer outro quesito capaz de fazer sua mãe chamar de “genro/nora que pedi a Deus”. Mesmo sendo uma pessoa comum como tantas outras pelo mundo, você sofre, se corrói de ciúmes e até a coisa mais banal como pastel de feira te faz lembrar dele(a). Começa a guerra entre a razão e a emoção e toda aquela reflexão freudiana conturbadora que acaba dominando seu dia. É este momento infinito que Rob vive e nos conta com todos os sentimentos que, de alguma forma, extravasamos simultaneamente nessas horas.
Por que: Explicar relacionamentos não é tarefa fácil. Explicá-los usando música é ainda mais complicado. Usando BOA música, então. Sem mencionar que Alta Fidelidade tem uma cena, quase no fim do filme, que é impagável para mim. Desde que assisti, ficou impregnada na minha memória. A cena do Rob pedindo Laura em casamento e recebendo risadas debochadas como resposta. Ela, como toda mulher, estava ciente das puladas de cerca do namorado. E ele, com a melhor analogia do cinema, explica o motivo dos homens traírem: lingerie.
Donnie Darko (2001)
O que: Viagem no tempo, wormholes, fim do mundo, profecias e um coelho sinitro chamado Frank. Teorias, teoremas, alucinações… será que o mundo realmente vai acabar em 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos como Frank avisou? Afinal, foi tudo um sonho da mente perturbada de Donnie? Todos os encontros foram mera coincidência?
Por que: Adoro Jake Gyllenhaal perturbado. Adoro o final tire-suas-próprias-conclusões. Adoro a afirmação de que ninguém é bonzinho. Todos se acham normais, intelectuais, interessantes. No fundo, todos escondem um segredo, têm um vício e são egoístas e hipócritas. Tudo o que você faz é conseqüencia de uma vontade de conseguir algo em benefício próprio. Se Donnie repulsa e se sente enojado com a personalidade de todos ao seu redor (fora sua irmã caçula, Samantha, a personificação da pureza ainda não corrompida), por que se preocupar em descobrir se o fim do mundo está próximo ou não?
Filed under: Cinema, me diz 5 | 3 Comments
Tags: Alta Fidelidade, Donnie Darko, Filmes, Forrest Gump, Laranja Mecânica, Trainspotting

e requiem? e se7en?
vida longa ao ‘me diz 5′!
concordo sem pensar com os três primeiros, me abstenho do quarto e acho o quinto uma produção supertosca indigna de qualquer “top”.
às vezes eu fico pensando “não alcancei” quando vejo pessoas dando tanto valor a Donnie Darko. nem chegou a passar aquela sensação de “será que eu gosto desse troço?”, como acontece em filmes bizarros, tipo Mulholland Drive ou Gummo.
ponto positivo pra “Mad World” na trilha sonora!
acho que eu não conseguiria escolher apenas 5…